Risadas. Passos.
Fúria. Deboche.
Um único tiro.
Ele.
O sorriso dela desapareceu por completo. Dando lugar a um franzir de cenho e uma expressão indignada. Um cruzar de braços. Uma questão ouvida em meio ao silêncio. Como pode?
A mira, em seu coração. O olhar e a mente, focados em um único objetivo.
Ela.
Desaparecendo, diante de seus olhos. O sorriso de volta ao rosto delicado.
A resposta, levada juntamente a bala do revólver.
Você não é ela.
Surpresa, mais fúria.
Numa velocidade incrível, ela estava frente a frente com ele. Nenhum sorriso. Tristeza.
Como poderia ele saber, afinal? Ele não a esquecera ali?
Deboche.
As expressões dela eram claras, e sinceras. A de agora era um cruel deboche.
Isso o irritava.
Ela empurrou a arma, que rolou pelo chão, indo parar longe de ambos. Os olhos se encontraram. Intensos e furiosos. Ela não o tocou, ele não se moveu.
Reconhecimento. Aqueles olhos.
Os olhos dela.
O corpo dela. Mas ainda assim, era difícil acreditar que aquela era ela.
Sua eterna, somente sua. Surpresa.
E novamente, dela só viria a tristeza e aquele olhar cruel, frio. Solidão.
Talvez fosse isso que ela o dizia o tempo todo. Agora era tarde, afinal.
Em frente aos seus olhos, ela finalmente desaparecia na escuridão daquele lugar eternamente abandonado.
Ele sabia o que ela iria dizer. Aonde quer que ele fosse, qualquer lugar que o mundo tivesse esquecido, ela estaria lá. Esperando por ele. Para que ele pudesse encontrá-la, e para que pudessem brincar novamente.
Daquele jogo que muitos considerariam cruel, ou masoquista. Mas que para os dois, era somente uma forma divertida de se encontrarem.
Eternamente naqueles olhos.
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