Minha vida nunca foi um conto de fadas. Ela foi comum, a vida comum de uma adolescente comum num bairro comum. Havia "comuns" demais nela.
Não irei começar com "Era uma vez", pois aprendi na prática que os "reinos distantes", "príncipes belos e amorosos" e "princesas delicadas e adoráveis" não existem. São apenas alguns desvios de criatividade dos aclamados escritores de nossa época. Ora, se os contos de fadas existissem, eu não estaria aqui narrando parte de minha vida. Eu estaria sentada à frente de minha janela, esperando o meu príncipe chegar em seu cavalo branco. Mas, sentada perto da janela como estou agora, só vejo chuva e mais chuva. Em contos de fadas, só chove quando algo ruim está para acontecer. Minha vida foi um eterno dia nublado.
[...]
No terceiro ano, a chuva que ameaçava cair, apareceu. Mais forte e perigosa do que eu imaginava.
E ele partiu.
Para sempre.
E eu não verei mais seus cabelos ruivos.
Não escutarei mais suas raras risadas.
Não sentirei mais seu cheiro.
E não vou provar do seu beijo novamente.
Ambos viveremos movidos pelas imagens um do outro.
Eu nunca acreditei em final feliz, porque nunca houve um final feliz.
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